Quais são os tipos de Yoga?

A cada temporada uma nova modalidade de Yoga é inventada, são tantos nomes diferentes que os recém chegados nesse universo ficam literalmente perdidos e sem saber que aula escolher. Esse mês ao enviar um questionário para os alunos regulares perguntando sobre quais modalidades tinham interesse em praticar recebi várias dúvidas sobre os tipos Yoga e as diferenças entre eles. Contudo senti a necessidade de escrever esse artigo para ajudar de uma forma geral aqueles que vão dar os primeiros passos nessa caminhada escolhendo o caminho correto. 

Vamos começar pelo Yoga Tradicional

“Em sua mais antiga forma conhecida, o Yoga parece ter sido a prática da introspecção disciplinada ou da concentração meditativa, associada aos rituais de sacrifício. É sob essa forma que o Yoga se apresenta nos quatro Vedas, os primeiros  e os mais precisos textos sagrados do Hinduísmo.” Georg Feuerstein

Se considerarmos a primeira vez em que a palavra Yoga foi encontrada podemos dizer que o Yoga é uma prática de mais de 5 mil anos de existência e que embora continue tendo o mesmo significado até hoje vem se transformando e se adaptando às novas gerações. Os anos foram passando e o Yoga foi basicamente reinventado dando origem à um conjunto imenso de práticas e explicações sobre a transcendência da condição humana.

A tradição do Yoga durante todos esses anos foi sendo passada de mestre à discípulo por transmissão oral (paramparā em sânscrito) e com o tempo sofreu inúmeras transformações onde algumas informações foram perdidas, acrescentadas e outras retiradas ou modificadas.  Assim o Yoga não é, de modo algum, um todo homogêneo. A doutrina e a prática variam de escola para escola ou de mestre para mestre, e as diferenças podem ser tão grandes que às vezes, entre duas correntes, não se pode encontrar uma única semelhança. 

“Quando falamos do Yoga, estamos falando de uma multiplicidade de caminhos e tendências dotadas de estruturas teóricas contrastantes e às vezes até metas divergentes, embora todos sejam meios de libertação.” Georg Feuerstein

Do ponto de vista histórico o escritor Georg Feuerstein apresenta em seu livro “A Tradição do Yoga” seis grandes formas de Yoga e as coloca em uma roda com muitos raios. Esses raios representam as diversas escolas ou movimentos do Yoga; o aro externo simboliza as exigências morais comuns a todos os tipos de Yoga; o aro interno mostra a experiência de êxtase, pela qual o praticante de Yoga transcende não só a sua própria consciência limitada como também a existência cósmica como um todo. 

“Todas as formas autênticas de Yoga são caminhos que levam a um único centro, a realidade transcendente, que pode ser definida de modos diferentes pelas escolas.” Georg Feuerstein

Assim o Yoga [ योग ] é uma filosofia prática que visa a libertação do indivíduo através do reconhecimento da sua verdadeira natureza.

A Roda do Yoga | Vários caminhos para a iluminação

O Yoga Tradicional 

1.Rāja Yoga

A palavra Rāja significa real. Essa é uma das escolas mais significativas dentro das apresentadas e que continua viva até hoje. É o sistema clássico de Patañjali. 

Pedro Kupfer na sua tradução do texto Haṭhayoga Pradīpikā explica; “Patañjali, “aquele que caiu durante a saudação” é nome do codificador do Yoga Clássico, Aṣṭāṅga Yoga, e autor do Yogasūtra. Todas as formas de Yoga que se praticam hoje em dia têm neste autor e sua obra uma referência obrigatória, inclusive, a Haṭhayoga Pradīpikā. O Yogasūtra consta de apenas 196 aforismos que constituem um verdadeiro mapa do psiquismo humano, que revela o ser humano como alguém intrinsecamente livre e feliz. Os sūtras contém ainda instruções muito valiosas para desenvolver o potencial humano e facilitar o convívio social e ambiental.”

A palavra sânscrita aṣṭāṅga vem das raízes, aṣṭau – oito, e aṅga – partes. Assim traduz-se Aṣṭāṅga Yoga como o Yoga em oito partes, ou seja, os oito passos que conduzem o praticante a iluminação, ou ao entendimento de si mesmo e do universo. Estas oito partes, ou oito passos, são como ramos de uma árvores, naturalmente ligados entre si e dependem um do outro. Essa é a base da filosofia tradicional do Yoga, e através da prática desses oito passos aprendemos sobre nós mesmos, amadurecemos e conseguimos um certo comando sobre a  mente e as emoções. Assim supera-se todos os obstáculos no caminho do autoconhecimento e do despertar espiritual. Aṣṭāṅga Yoga assim é um método que conduz o praticante ao objetivo final do Yoga, que é a libertação. 

2.Karma Yoga

É o Yoga da liberdade na ação. O termo karma significa um tipo específico de ação, uma ação com atitude interior perante a ação. A ação por si só sem a atitude correta não é Karma Yoga. 

“O Karma Yoga é muitas vezes ensinado e entendido como o exercício da ação sem expectativas ou a ação desinteressada. Swami Dayananda ensina que não é possível praticar uma ação sem esperar um resultado. A negação desta verdade representa a não compreensão e não aceitação da natureza humana. Uma vez que percebemos que a ‘inacção na acção’ não é não esperar um resultado, mas sim aceitar que não podemos mudar um resultado e aceitá-lo em santosha (contentamento), ou seja, agir sem apego ao resultado, agir com desapego; então compreendemos o ensinamento do Karma Yoga” ensina o professor Pedro Kupfer. 

Complementa ainda: “Karma Yoga não é fazer karma, ação, não é agir, fazer algum tipo de trabalho. Por isso, não é manter o jardim limpo, ajudar na cozinha, lavar a roupa, ajudar no trabalho de escritório. Fazer isto, fazer aquilo. Como se pode fazer Karma Yoga? E por outro lado como se pode deixar de produzir Karma? Se existe uma escolha, a escolha é entre Karma Yoga e Sannyása e não entre agir e não agir. Aqueles dois existem como vias para  Mokṣa.  Mokṣa é auto-conhecimento, libertação da necessidade de querer ser algo diferente. Não é uma luta para se conseguir algo, mas libertação da luta para se tornar algo”” Pedro Kupfer. 

3.Samnyāsa Yoga

Prática da renúncia ou da ascese. O professor Pedro Kupfer explica: “O conhecimento é o caminho, e para tanto existe Sannyása ou Karma Yoga. Sannyása não tem obrigações que não ahimsá, não violência, porque tudo é abandonado em prol de uma vida de busca do conhecimento, brahmavidyá. Na vida de Karma Yoga os deveres que são abandonados pelo sannyásí mantêm-se. É uma vida de conciliação desses deveres com a busca de conhecimento.” 

4.Mantra Yoga

Mantras são sons de poder, instrumentos para o pensamento. Em Mantra Yoga o som é usado como veículo de transcendência. De acordo com a teoria predominante da ciência dos sons sagrados – conhecida como mantra-vidyâ ou mantra-sâstra, o universo existe num estado de vibração e os sons,  sobretudo os sons repetitivos afetam a consciência. Assim o mantra é um som que traz poder a mente, um som que centra, foca e coloca a mente em estado meditativo. 

“O mantra é um veículo meditativo de transformação do corpo e da mente humanos, e supõe-se que tenha um poder mágico.” Ernest Wood 

5.Haṭha Yoga

O Yoga vigoroso é um produto da época medieval. “Gira especialmente em torno do desenvolvimento do potencial do corpo, para que este seja capaz de suportar a força e o peso da realização transcendente”. Georg Feuerstein 

É o equilíbrio das nossas energias internas.  Sua prática física apenas é descrita em detalhes pelos tântricos no século XV primeiramente em um texto já perdido de do sábio Gorakṣa que explica o sentido secreto da palavra Haṭha, como a junção das energias solar/lunar: “A letra ha se refere ao sūrya e a letra ṭha indica candra. Quando candra e sūrya estão em equilíbrio é chamado de Haṭha yoga.”

Segundo Flávia Venturoli Miranda no seu artigo Origens do Haṭha Yoga;  a energia Śakti, juntamente com a estática consciência, Śiva simbolizam os princípios da unidade buscada pelas práticas tântricas. “Para isso, o tantra não exclui nenhuma possibilidade (nem sacra nem profana) para essa realização, pois não há o profano apenas o sagrado”

Segundo o professor Pedro Kupfer, “O período em que o Haṭha surgiu coincide com um momento muito especial da história, em que os adeptos do Tantra apresentaram a uma Índia pasmada e acomodada no ritualismo bramânico uma visão revolucionária e dinâmica do universo e do homem. Para os tântricos o corpo não é mais a causa do sofrimento ou da perdição, mas um veículo para a transcendência e a realização da natureza divina no homem.” 

“Sem o corpo, como realizar o [supremo] objetivo?

Então, depois de adquirir uma morada corpórea,

a pessoa deve realizar ações meritórias, pūṇyam.”

Kulārnava Tantra (I:18)

A peculiaridade do Haṭha é a busca pela liberdade através de uma série de práticas e reflexões que visam o despertar de nossa potencialidade humana, através da experiência do despertar da kuṇḍaliṇī.

Assim concluímos que o Haṭha Yoga é um método tântrico que usa o corpo como veículo para a iluminação. Embora não busquemos experiências também não devemos negá-las. Tudo é válido uma vez que o corpo é sagrado e sem o corpo não haveria a possibilidade da iluminação.

6.Kriyā Yoga

Embora esteja na roda do Yoga, Georg Feuerstein não dá muitas explicações sobre essa modalidade de Yoga deixando-nos com uma única tradução: Yoga da ação ritual. 

O dicionário Michaelis traduz a palavra ritual como “relativo ou pertencente a rito”. Um rito é uma cerimônia religiosa, um culto ou conjunto de práticas próprias. Assim subentende-se que Kriyā Yoga envolve ações ritualísticas para se atingir o objetivo último do Yoga, a iluminação. 

7.Bhakti Yoga

O poder transcendente do amor. No Bhakti é a força emocional do ser humano que é purificada e canalizada para Deus. “Em sua disciplina de autotranscendência extática, os bhaktis-yogīns – ou bhaktas (“devotos”) – tendem a ser mais expressivos do que o típico jnānim ou rāja-yogin. Os adeptos do Bhakti Yoga não se envergonham, por exemplo, de derramar lágrimas de desejo pela Divindade. ” Georg Feuerstein.  

A palavra sânscrita bhakti vem da raiz bhaj, que significa “adorar ou adorar a Deus”. Bhakti Yoga é conhecida pela “união por meio do amor e da devoção”. Bhakti yoga, como qualquer outra forma de Yoga, é um caminho para a auto-realização, para ter uma experiência de unidade com tudo.

“Bhakti é a Yoga de um relacionamento pessoal com Deus”, diz o músico Jai Uttal, que aprendeu a arte da devoção com seu guru, o falecido Neem Karoli Baba. “No cerne de Bhakti está a rendição”, diz Uttal, que viaja pelo mundo conduzindo kirtans devocionais. 

“Bhakti Yoga é render-se ao Divino com seu Eu interior. Consiste em concentrar a mente, as emoções e os sentidos no Divino” David Frawley.

8.Jñāna Yoga

O Yoga do conhecimento verdadeiro. Jñāna significa conhecimento, sabedoria, um tipo de conhecimento que liberta. O Jñāna Yoga praticamente não se distingue do caminho espiritual do Vedānta, a tradição hindu do não-dualismo. 

Segundo a professora Glória Arieira “Vedānta é o conhecimento contido no final dos Vedas, os textos chamados as Upanishads. Outros textos de Vedānta são a Bhagavad Gītā, o Brahma Sutra e os Prakaranagranthas (textos vários explorando temas de estudo de Vedānta escrito por diferentes mestres ao longo do tempo). Vedānta analisa a natureza do Ser essencial através de seu método: o escutar, do mestre, as palavras de ensinamento, a reflexão sobre o que foi escutado e a contemplação sobre o que foi escutado e refletido.  Em Vedānta a meditação é concomitante ao estudo. Não tem função independente dele. Algumas meditações preparam a mente do estudante. Outras são contemplações do Ser Absoluto”. 

Yoga Moderno | Formas de Haṭha Yoga

Como mencionado anteriormente, a tradição do Yoga jamais deixou de crescer, se transformou e ainda vem se transformando sempre buscando se adaptar às novas condições socioculturais. Apesar de o Yoga ser apenas um, esses diferentes e novos caminhos e vertentes dentro dele dialogam entre si. Cada pessoa pratica aquilo que está preparada para praticar, ou seja cada, cada estudante constrói seu próprio caminho. 

Bom, mas você deve estar aí se perguntando sobre esses nomes que apresentei acima pois ao bem da verdade não são os mesmos nomes que você costuma ver nas grades de horários das escolas de hoje em dia não é mesmo? 

Sim eu sei, e vou te explicar. Todos os nomes da atualidade são na verdade formas modernas de Haṭha Yoga, formas que usam o corpo como um meio para a iluminação. Então independentemente do nome que a escola de Yoga oferecer em sua grade saiba que por trás dele está lá o antigo e tradicional Haṭha Yoga.

Sério? Sim, simples assim 🙂 Tudo é Haṭha Yoga, mas como eu sei que dentro de tudo ainda existem variações, ritmos, e intensidades diferentes agora vamos nos aprofundar nas diferenças entre as formas moderninhas do tradicional Haṭha Yoga. 

Lembrando que Haṭha Yoga inclui posturas físicas, exercícios respiratórios, concentração, meditação, selos energéticos, mantras e purificações.

1. Iyengar Yoga

Iyengar Yoga é o sistema de Yoga introduzido por B.K.S Iyengar, quem por sua vez foi introduzido na  yoga por Sri T. Krishnamacharya. Iyengar sistematizou mais de 200 posturas e 14 exercícios de respiração e sua história no caminho de yoga veio de graves doenças quando jovem, resultando posteriormente em uma prática com  foco no seu uso terapêutico. 

A estrutura da aula é de sequência lenta, espaçada, permanência prolongada e foco extremo no alinhamento detalhado além do uso de props (acessórios).

2. Yoga Restaurativo 

Neste método são utilizadas posturas do Yoga Relax n Renew e Advanced Therapeutics ensinadas por Judith Hanson Lasater – Ph D em NY e Londres adicionando à estas fatores e acessórios que estimulam a resposta do relaxamento e materiais que funcionam como forma de tranquilizar o emocional.

Para a aula você vai precisar de muitos props e se prepare para quase dormir em posturas suaves com permanência de mais de 5 minutos. 

3. Yin Yoga

Yin Yoga é uma prática lenta e meditativa composta de posturas sentadas e deitadas destinadas a “estressar conscientemente” os tecidos conjuntivos do corpo.

Esses tecidos, incluindo tendões, cartilagem e principalmente um invólucro subcutâneo do corpo chamado de fáscia estão mais concentrados nas articulações e ao redor delas e podem enrijecer e encurtar com a idade ou inatividade. A mobilização dos tecidos os lubrifica e os torna mais flexíveis. 

Yin é adequado para iniciantes e praticantes mais experientes, embora seja comum que os recém-chegados lutem para permanecer parados por vários minutos em uma única postura de cada vez.

4. Ashtanga Vinyasa Yoga

Ashtanga é um estilo de Yoga criado por Sri K. Pattabhi Jois, em Mysore, Índia. Sua metodologia é baseada na sincronização dos movimentos com a respiração, através de sequências de posturas distribuídas em séries. Antes de tudo o Ashtanga Vinyasa Yoga é considerado um sistema respiratório e tem como objetivo purificar o corpo e equilibrar a mente. A prática oferece ao aluno um momento único de concentração e reflexão para a busca do autoconhecimento. 

A prática de Ashtanga leva cerca de uma hora para um iniciante que ainda está aprendendo a seqüência e por volta de uma hora e meia a duas horas para um aluno que já tenha finalizado a série. Podem ser aulas no estilo Mysore – aula em que cada aluno segue seu ritmo pessoal e vai avançando gradativamente sob orientação do instrutor qualificado que permanece na sala ensinando simultaneamente vários alunos – ou pela prática conduzida: os praticantes acompanham as instruções do professor e seguem juntos.

Após a morte de Sri K. Pattabhi Jois, seu neto Sharath Jois considerado hoje a maior autoridade na prática assumiu a direção do Instituto e fez algumas modificações na sequência assim como removeu o nome “Vinyasa”” do método passando-o a chamar apenas de Ashtanga Yoga.

5. Vinyasa Yoga

Vi” em sânscrito significa “de uma forma em especial” e a palavra “nyasa” significa colocar, assim ao pé da letra temos “colocar de forma especial se referindo a maneira em que a respiração vai se encaixando nas posturas e entre elas nas chamadas transições. Assim a prática de posturas é inteira sincronizada com a respiração criando uma meditação em movimento.

Esse sistema foi introduzido por Tirumalai Krishnamacharya, uma das figuras mais influentes em Yoga dos últimos 100 anos, conhecido também como o pai do Yoga moderno. 

6.Power Yoga

Power Yoga é uma prática de Vinyasa, ou melhor, um desdobramento do Ashtanga Yoga e que tem muitas das mesmas qualidades e benefícios, incluindo aumento do calor interno, aumento da resistência, força e flexibilidade, bem como redução do estresse e aquietamento da mente. Mas no Power cada professor tem a flexibilidade de ensinar qualquer postura em qualquer ordem, tornando cada aula diferente.

O objetivo dessa modalidade de Yoga é promover um forte trabalho muscular e aeróbico, sem deixar de lado a concentração e respiração que são característicos do Yoga nas suas modalidades mais tradicionais. Sua prática está indicada para aquelas pessoas que buscam não só a filosofia do Yoga mas também  a definição muscular e a queima calórica, já que a prática é super vigorosa. 

7. Slow Flow 

Uma das modalidades mais moderninhas do Yoga é voltada para quem ama Vinyasa mas cansou de transpirar e está buscando mais tranquilidade e calmaria. A prática é feita em sincronismo com a respiração mas os movimentos são lentos e suaves. 

8. Kuṇḍaliṇī Yoga

Kuṇḍaliṇī Yoga é uma forma de Yoga que envolve cânticos, exercícios respiratórios e posturas repetitivas. Seu objetivo é ativar a kuṇḍaliṇī, ou shakti, nossa potência e energia adormecida localizada na base da sua coluna.

Percebeu alguma semelhança? rsrs

kuṇḍaliṇī Yoga está associado a Yogi Bhajan, um professor de yoga do Paquistão. Ele recebeu o crédito por introduzir a prática nos países ocidentais na década de 1960. 

Ou seja, mais um professor dando um nome diferente a uma prática de Haṭha Yoga. Dizem que esse Yoga é o mais espiritual o que eu não concordo pois todos as formas têm o mesmo objetivo, aquisição do autoconhecimento e a consequente liberação do estado de sofrimento, Mokṣa.

9. Bikram Yoga

Bikram Yoga é um sistema de Yoga quente. Desenvolvido por Bikram Choudhury, se tornou popular no início dos anos 1970. As aulas consistem em uma sequência fixa de 26 posturas, praticadas em uma sala aquecida a 105 ° F (41 ° C) com umidade de 40%, com o objetivo de replicar o clima da Índia. A sala está equipada com tapetes e as paredes são revestidas de espelhos; o instrutor não ajusta os alunos. O estilo de ensino de Choudhury é abusivo e o criador está enfrentando processos judiciais e acusações de agressão sexual. Se você quer conhecer essa história tem um filme sobre o caso no Netflix esperando por você. 

10. Sivananda Yoga

Sivananda Yoga é um sistema de Yoga fundado por Swami Vishnudevananda; inclui o uso de posturas  mas não se limita a elas. Ele nomeou este sistema, bem como a organização internacional dos Centros Sivananda Yoga Vedanta, responsável por propagar seus ensinamentos, em homenagem a seu guru, Swami Sivananda com a missão de divulgar os ensinamentos do Yoga e a  mensagem de paz mundial. A estrutura da aula é baseada em 12 asanas básicos e tem um ritmo devagar, com bastante meditação. 

11. Yogaterapia

A Yogaterapia é uma disciplina que usa os fundamentos do Yoga para aliviar ou curar doenças físicas e psicológicas. O foco não é o autoconhecimento e sim a saúde do corpo e da mente. Como todas as outras formas de Yoga também faz uso posturas , exercícios respiratórios e meditação mas como disciplinas terapêuticas com foco no denso (doenças). 

Normalmente todas as formas de Haṭha Yoga de forma indireta trazem saúde pro corpo e pra mente, mas isso não é vendido nem evidenciado uma vez que Mokṣa a liberdade é objetivo final, mas costumamos dizer que saúde e bem estar são como um “plus”, um extra que você ganha ao buscar autoconhecimento. 

12.Yoga Integrativa

Segundo Joseph Le Page , o criador da Yoga integrativa Yogaterapia, quando pensamos em terapia uma das primeiras imagens que vêm à mente é a de alguém recebendo um tipo de “prescrição” de Yoga destinada à cura de um determinado problema de saúde. No entanto, a visão terapêutica por detrás da Yogaterapia Integrativa abraça conceitos como os de saúde, doença, visão da pessoa e do mundo, de forma bem mais abrangente, baseando-se em princípios que se distinguem da medicina tradicionalmente alopática e dos métodos conhecidos como terapias alternativas.

Assim sendo, a Yogaterapia Integrativa considera como terapia o cuidar do ser dentro deste contexto integral, utilizando-se das ferramentas do Yoga como veículos adequados para a condução da pessoa ao longo desta jornada de libertação. 

14. Jivamukti Yoga

O método Jivamukti Yoga é um estilo criado por David Life e Sharon Gannon em 1984 em Nova York.  Jivamukti é uma prática física, ética e espiritual, combinando uma prática vigorosa, baseado em vinyasa com adesão a cinco princípios centrais: shastra (escritura), bhakti (devoção), ahimsā (não violência, não ferir), nāda (música) e dhyana (meditação). Ele também enfatiza os direitos dos animais, veganismo, ambientalismo e ativismo social. 

15. Sattva Yoga 

É o Yoga do equilíbrio e da harmonia. Criado por Gustavo Ponce, um chileno que ao sofrer um acidente quase fatal adaptou o Yoga para sua recuperação e passou a ensiná-lo na sequência em que desenvolveu. Sattva se caracteriza pelo alinhamento corporal e pela previsão ao executar cada movimento e cada postura tendo como foco a saúde da coluna vertebral. 

16. Purna Yoga

Quando morava na Austrália me interessei por um curso de Purna Yoga, eram 800h de ensino reconhecido pela Yoga Alliance, então resolvi fazer essa formação. Purna significa completo e na teoria achei que seria um curso super completo e de Yoga tradicional, mas passei um ano estudando anatomia e alinhamento de posturas. Tudo bem, não foi tão ruim assim ter foco em anatomia, mas faltou muito pra ser um curso completo… enfim, concluí que era apenas mais uma marca. 

17. Haṭha Yoga 

Você ainda vai encontrar hoje em dia o nome Haṭha Yoga sendo oferecido nas grades de horários exatamente como foi ensinado por Georg Feuerstein na Roda do Yoga. Esse é o nome que mais gosto e porque sei que a maioria dessas práticas respeitam a tradição do Tantra e do Vedānta e de uma forma respeitosa ainda incluem em suas práticas os ensinamentos do Rāja Yoga, Mantra Yoga, Krīya Yoga, e Bhakti oferecendo aos alunos o caminho completo em direção ao objetivo final,  Mokṣa, a liberdade ou iluminação e o reconhecimento de nossa natureza. O melhor disso é que esse tipo de prática quando feita com disciplina e devoção ainda promove ao praticante um “pacote de benefícios extras”” para o corpo e a mente que além de não exaltados não são negados pelos professores e praticantes. 

Enfim, para concluir você não achou tudo isso muito similar? Posturas, respiração consciente, meditação, equilibrar a mente, descobrir a sua essência, etc…  Se você pesquisar na internet ainda vai encontrar outros muitos nomes com diferentes explicações para ensinar a mesma coisa. O nome muda, a abordagem muda mas no final estamos praticando mesmo o bom e velho Haṭha Yoga.

Agora que você já conhece um pouco desses novos métodos que tal experimentar? Primeiro procure por um professor qualificado, alguém que mesmo ensinando os métodos moderninhos de Yoga ainda preserve a tradição fazendo com que o paramparā seja protegido e continue por muitas e muitas gerações.

Experimentar, sentir na própria pele e assim escolher escolher qual o melhor método para você, onde quer e vai permanecer… mas tenha cuidado para não se perder e confundir os fins com os meios. Boas práticas, boas buscas, e desejo que você encontre o Yoga que toque o seu coração e te leve em direção ao autoconhecimento. 

Namaste!

Patrícia de Abreu


Referências

A Tradição do Yoga | Georg Feuerstein

www.yoga.pro.br | Pedro Kupfer 

www.vedanet.com | David Frawley.

www.vidyamandir.org.br | Gloria Arieira 

As Origens do Haṭha Yoga | Flávia Venturoli Miranda 

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