Os principais Bandhas do Haṭha Yoga

A palavra bandha significa em sânscrito “fecho”, “trava”, e deriva da raiz “bandh que quer dizer ligar, fixar, amarrar. Bandhas são técnicas de ativação e contração de órgãos e plexos nervosos que foram ensinadas no Haṭha Yoga para manter o calor dentro do corpo e evitar a dispersão da força vital conduzindo-a pelos canais adequados. Atuam tanto no plano sutil como no plano denso.

O corpo energético, prānamāyākosha é o que conecta o denso ao sutil e é onde os exercícios de prāṇāyāmas e bandhas atuam. O prānamāyākosha é composto de cinco principais prāṇas, também conhecidos como pancha vāyu, ou cinco prāṇavāyus: prāṇa, apāṇa, samāṇa, udāṇa e vyāṇa

Esses 5 prāṇas circulam no corpo energético através das Nāḍīs, que são os canais energéticos. O nosso corpo possui milhares desses canais, especificamente são 72 mil, e três são de grande importância. Ida Nāḍī (canal esquerdo), Pingala Nāḍī (canal direito) e Suṣumnā nāḍī (o canal central).

No corpo prânico, os bandhas pretendem bloquear os prāṇās em áreas específicas e redirecionar seu fluxo para o suṣumṇā Nāḍī, o canal central com o objetivo do despertar espiritual. Os bandhas podem ser praticados individualmente ou incorporados às práticas de mudrās e prāṇāyāmas. Quando combinados dessa maneira, eles despertam as faculdades psíquicas e compõe práticas superiores.

Bandhas, as ativações no prāṇāyāma.
II:45. Ao final de pūraka, a inspiração, deve-se praticar jalāṇḍharabandha; e, ao final de kūṁbhaka e no início de recaka, a expiração, deve-se fazer uḍḍīyānabandha. Haṭha Yoga Pradīpikā II:45.

Swami Satyananda explica; “Tradicionalmente, os bandhas eram classificados como parte dos mudrās e eram transmitidos de boca em boca ou de guru à discípulo. O Haṭha Yoga Pradīpikā lida com bandhas e os mudrās juntos e os antigos textos tântricos também não fazem distinção entre os dois. Os bandhas são extensivamente incorporados nos mudrās, bem como nas técnicas de prāṇāyāma. Sua ação de bloqueio, no entanto, os revela como um grupo de práticas fundamentalmente importante por direito próprio.”

Os mudrās são considerados o aspecto interno dos āsanas e estão relacionados de com o prāṇāyāma. O controle interno leva à libertação do complexo corpo-mente. Os mudrās utilizados na prática do prāṇāyāma são os denominados genericamente bandhas e canalizam o prāṇā numa direção determinada.

Do ponto de vista fisiológico, os mudrās feitos com o corpo tratam de controlar conscientemente certos músculos semi-voluntários, como os esfíncteres anais, o diafragma, músculos da garganta, olhos etc. Nestes músculos há integração do sistema nervoso central e do sistema nervoso autônomo, que funcionam como uma unidade.

O professor Pedro Kupfer ensina em um artigo no website Yoga.pro.br; “Os bandhas são contrações de determinadas áreas do corpo físico, como plexos, nervos, órgãos e glândulas, que estão relacionadas aos chakras, centros da energia vital, e que funcionam como canalizadores do fluxo energético. “O prāṇā está onde está a consciência”. Ou seja, levar consciência a determinada parte do corpo que precisa ser energizada é levar prāṇā, mas há uma tendência natural do corpo em perder energia via órgãos sexuais e pelo movimento de excreção. Isso por haver um “vento” descendente que se localiza na região do baixo ventre e é chamada de apānavāyu. Portanto, uma das finalidades da prática de Yoga é fazer essa energia ascender. Os exercícios que fazem essa energia subir é a contração do períneo, mūlabandha e a contração da região do baixo ventre, uḍḍīyana bandha. Estas devem ser mantidas durante toda a prática de Yoga, pois funcionam como selos de energia e como “ferramentas” de ascensão da energia, dos cakras inferiores aos superiores”

Quais são os bandhas?

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Segundo a Haṭha Yoga Pradīpikā
1. Uḍḍīyana bandha ::: contração do abdômen
2. mūla bandha ::: contração do assoalho pélvico
3. jalāṇḍhara bandha ::: contração da garganta
4. bandha traya ::: contração tríplice
5. jihva bandha ::: contração da língua
6. maha bandha ::: grande contração (bandha traya + jihva bandha)

Segundo a Gheraṇḍa Saṁhitā
1. Uḍḍīyana bandha ::: contração flutuante
2. Jālandhara bandha ::: contração da garganta
3. Mūla bandha ::: contração raiz
4. Mahā bandha ::: grande contração
5. Mahā vedha ::: grande penetrador

“Existem vinte e cinco mudrās. A sua prática proporciona o triunfo ao yogī”
Gheraṇḍa Saṁhitā 3:1-3

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Os três principais bandhas agem diretamente sobre os três tipos de nós ou nós psíquicos, também chamados de obstáculos para a ascensão da kuṇḍalinī. Mūla bandha está associado a brahmāgranthi, Uḍḍīyana bandha com viṣṇugranthi e Jālandhara bandha com rudragranthi. Os granthis impedem o fluxo livre de Prāṇa ao longo do suṣumnā nāḍī, o canal central energético e, assim, impedem o despertar da kuṇḍaliṇī, nossa energia potencial.

Mūlabandha

Mūlabandha significa fecho da raíz. Coordena, estimula e equilibra as energias envolvidas no reto, órgãos sexuais e ponto do umbigo. Ele redireciona a energia sexual no sentido criativo e de cura do corpo.

Através da contração, ativação e elevação dos músculos do assoalho pélvico tonificamos os órgãos da pelve, incluindo a bexiga e os órgãos genitais.

Quando esses músculos são recrutados despertam também outros músculos que estão associados, como os iliopsoas.

O mūlabandha aumenta a potência sexual e a irrigação sanguínea na região pélvica, ajuda efetivamente no controle do orgasmo, evita a dispersão da energia sexual, mantém o equilíbrio hormonal e estimula o metabolismo dos órgãos internos.

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O professor Pedro Kupfer afirma: “praticar Mūlabandha revigora o sistema nervoso central, estimula a união do ar vital descendente (apāna) com o ascendente (prāṇa) e desperta o cakra básico (mūlādhāra).”

Quem desejar cruzar o oceano da existência deve praticar este mudrā em segredo. Gheraṇḍa Saṁhitā 3:16

Com mūla bandha controla-se vāyu. Deve praticar-se cuidadosa e diligentemente. Gheraṇḍa Saṁhitā 3:17

Impulsionando o apāna para cima [com a ajuda do mūlabandha] e fazendo
descer o prāṇa a partir da garganta [com o auxílio do jalāṇḍharabandha], o yogin
livra-se da velhice e torna-se [saudável, enérgico e bem disposto] como um jovem de dezesseis anos. Haṭha Yoga Pradīpikā III:61.

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Uḍḍīyānabandha.

Uḍḍīyānabandha: assim se chama entre os yogins esta prática porque, ao fazê-
la, o prāṇa voa para cima por suṣumṇā. [Uḍḍīyāna significa, literalmente, “voo ascendente”.] Haṭha Yoga Pradīpikā III:55

Ao final de pūraka, a inspiração, deve-se praticar jalāṇḍharabandha; e, ao final
de kūṁbhaka e no início de recaka, a expiração, deve-se fazer uḍḍīyānabandha. Haṭha Yoga Pradīpikā III:45

De forma simples traduzido como a contração do abdômen. Uḍḍīyānabandha significa o voo ascendente, é o caminho para o alto e é se faz contraindo os músculos abdominais. Pode ser praticado sentado ou em pé, essa trava massageia diretamente os músculos da região abdominal. Estimula a limpeza e está associado à juventude e à desaceleração de todos os processos degenerativos do envelhecimento

Graças a este bandha, o grande pássaro prāṇa voa incessantemente através de suṣumṇā. Haṭha Yoga Pradīpikā III:56

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Deve-se ativar vigorosamente o abdômen na região do umbigo para cima e
para trás. No prazo de seis meses triunfar-se-á sobre a morte, sem sombra de dúvida. Haṭha Yoga Pradīpikā III:59

Contrair o abdômen tanto para cima como para debaixo do umbigo. Empurrá-lo para trás, de maneira que os órgãos abdominais sejam comprimidos contra a coluna vertebral. Quem praticar este selo continuamente vencerá a morte. Graças a esta técnica, o “grande pássaro”, a força vital (prāna), é forçada insistentemente a “voar para cima” (Uḍḍīyāna), ou seja, a ascender pelo canal central (suṣumṇā nāḍī). Gheraṇḍa Saṁhitā 3:10

De todos os bandhas, este és o melhor. Com a sua prática completa facilita-se a libertação. Gheraṇḍa Saṁhitā 3:11

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Jalāṇḍharabandha

Este bandha é conhecido como “o fecho da garganta”. Seu principal efeito se dá na garganta, pois ajuda a focalizar a mente no quinto cakra e cria reflexos nervosos que estimulam e equilibram as glândulas tireóide e paratireóide.

É praticado geralmente em exercícios respiratórios, mas também pode ser usado durante cânticos e meditações. Jalāṇḍharabandha é ativado ao contrair os músculos anteriores do pescoço, flexionando o pescoço e puxando o queixo para o esterno.

Jalāṇḍharabandha, o fecho que controla as redes prāṇicas.
Contrai-se a garganta e mantêm-se o queixo firmemente recolhido em direção
[à parte superior do] peito [sem, contudo, necessariamente tocá-lo. A prática do]
jalāṇḍharabandha destrói a velhice e a morte. Haṭha Yoga Pradīpikā III:70

Este bandha é chamado de jalāṇḍhara porque ativa a rede das nāḍīs e detém o
fluxo descendente do néctar, que goteja a partir do somacakra, no centro da testa,
através da cavidade do palato. O jalāṇḍharabandha elimina todas as afecções da
região da garganta. Haṭha Yoga Pradīpikā III:71

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Os seus efeitos foram amplamente comprovados e proporciona excelentes resultados. Quem o praticar durante seis meses certamente alcançará o seu objetivo. Gheraṇḍa Saṁhitā 3:13

Boas práticas.
Patrícia de Abreu

Tradução da Haṭha Yoga Pradīpikā: Pedro Kupfer. Disponível para download no ww.yoga.pro.br

Tradução da Gheraṇḍa Saṁhitā : Gustavo Cunha. Disponível no www.yoga.pro.br

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