Sobre a Meditação – Parte 2

No artigo anterior (click aqui caso ainda não tenha lido) aprendemos o que é a meditação, a razão por qual meditar e os benefícios dessa prática tão poderosa. A partir de agora estamos prontos então pra começar a praticar.

Como Meditar?

Escolha da postura

Parece simples, mas não é! Tente-se lembrar:
Conforto -Estabilidade -Relaxamento -Descontração
Se você não consegue se quer aquietar o próprio corpo, como irá aquietar a mente? Então a maneira como vai se sentar é extremamente importante para o sucesso na prática.

Se for possível use uma almofada ou um daqueles blocos de yoga, mantendo o quadril acima da linha dos joelhos para que não haja nenhuma compressão articular. Durante a meditação é importante que você se sinta realmente confortável. Cresça com a sua coluna, tente abrir o coração movendo os ombros para trás e para baixo. O topo da cabeça na direção do teto. Feche os olhos, coloque um sorriso no rosto e relaxe. Caso não consiga sentar-se no chão, opte por uma cadeira, mantendo a coluna ereta e os pés bem apoiados no chão.

Pensamentos vão surgir o tempo todo, e também, dores no corpo, coceira, cansaço podem ocorrer. Distrair-se não significa que você está fazendo errado. O importante é não se envolver deixando-se levar por pensamentos ou distrações que vão surgindo. Eles vão desaparecer se você não alimentá-los, deixe-os ir, volte ao foco e ajuste sua postura se necessário.

Em qualquer situação, seja paciente consigo mesmo, não crie expectativas, que vão gerar ansiedade e tensões em sua mente.

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Escolha do lugar

Desde sempre aprendemos que existem lugares corretos para cada coisa que fazemos. Nossas refeições são feitas em mesas, escovamos os dentes no banheiro, usamos a cama pra dormir por exemplo. A sala é para ver TV, a piscina é pra nadar e por aí vai….E pra meditar? Precisamos então criar um espaço para que a nossa mente possa associar com a meditação do contrário criamos novos conflitos internos. Minha sugestão é construir um altar, um lugar sagrado que lhe traga paz e segurança. Um altar pode conter os símbolos mais significativos para você. Pode-se usar imagens hindus, cristã, ou de qualquer outra religião. Pode-se conter objetos que lhe tragam uma tranquilidade, como uma concha por exemplo. Todos os símbolos são liberados, este é o seu altar pessoal, se sinta livre para construir o seu canto de meditação. E se você não se conecta com símbolos escolha um canto vazio, que não remeta nada, um canto do silêncio pois depois de um tempo, toda-se vez que se sentar nesse lugar criado por você mesmo a sua mente vai associar ao estado meditativo e o processo vai se tornando mais fácil.

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Crie hábitos

Se você quer reprogramar a mente, eliminar o sofrimento enraizado no seu subconsciente é importante a rotina e o bom hábito. Depois de criar seu espaço para meditação, coloque um incenso ou uma vela que irá mexer com os seus sentidos. Todos os dias no mesmo horário sente-se nesse espaço e aos poucos vai perceber que a mente naturalmente vai entrar em um estado de concentração.

Pratyāhāra – a abstração dos sentidos

É chegado o momento da introspecção. É quando consegue-se parar de prestar atenção nos estímulos externos e voltar a atenção para o interior. Algumas técnicas de abstração sensorial vão ajudá-lo a aquietar e prepara-lo para realizar os estados mais profundos da meditação

1.Bhramari, o pranayama do vôo da abelha

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Ensina a Hatha Yoga Pradipika (II:68):
“Inspire rápida e vigorosamente, produzindo um som reverberante, semelhante ao zumbido do zangão. Expire muito lenta e suavemente, com um som parecido ao zumbido da abelha.”

Sente-se numa posição de meditação, mantendo a espinha ereta e os olhos fechados, sem contrair a musculatura de rosto nem tensionar as costas. Eleve os braços e coloque as mãos sobre a cabeça, obstruindo firmemente os canais auditivos com os polegares. A respiração deve fluir sem interrupções. Não é aconselhável fazer retenções.
O som a que se refere o texto acima é um murmúrio, como a letra “m” de forma baixa e contínua, imitando o som do vôo de uma abelha. Comece a emitir o som na exalação, concentrando-se nele e sentindo como vibra no interior da caixa craniana. Escute os sons do seu próprio corpo durante a inspiração.

Faça isto durante vários fôlegos, procurando perceber os sons sutis, que vibram no interior do seu corpo. Após alguns minutos, você irá perceber como, naturalmente, os seus pensamentos se detém na contemplação deste som. Começamos assim por recolher o sentido da audição e voltá-lo para o interior, prestando atenção aos sons internos. O tempo ideal de prática oscila entre dez e quinze minutos.
Bhramari desperta a sensibilidade, clarifica as ideias e detém as instabilidades do pensamento. É um excelente preparatório para os exercícios de concentração.

2.Jyoti, a visão da luz interior

Nesta técnica, você adquire a capacidade de retrair o sentido da visão, fechando-se aos estímulos externos, que alimentam a atividade mental através do olhar, e desenvolvendo a visão interior.

Sentado relaxadamente na sua posição de meditação, mantendo as costas eretas, deixe uma das suas mãos no colo, e coloque a outra sobre o seu rosto. Mantenha os olhos fechados e apoie com firmeza, porém sem força nem tensão, o polegar e o dedo médio da mão dos lados de fora dos globos oculares, obrigando-os a se dirigirem para o ponto entre as sobrancelhas, o trikuti. A base do dedo indicador poderá apoiar-se neste ponto, para facilitar a concentração.

Permaneça durante um bom tempo pressionando os olhos desta forma. Quando sentir o braço cansado, ou um certo desconforto, retire a mão, mas permaneça ainda atento àquela sensação de luminosidade no interior da cabeça. Abstraia-se nesta contemplação, ainda depois de cessar a pressão nos olhos.

3.Amṛta dhyana

Amṛta é o néctar, um gosto que se percebe com a prática do khechārī mudrā, a contração da língua que se faz elevando e pressionando-a contra a parte posterior da úvula, no palato mole. Esse ponto é chamado de sangaṁ ou triveni, uma confluência das três principais nāḍīs na altura da garganta. A contração massageia indiretamente a glândula pineal no cérebro e produz diferentes sensações nas papilas gustativas, todas muito reais, que vão desde gostos alcalinos, amargos, lácteos até o gosto do elixir lunar. O khechār mudrā impede que o amṛta, que se concentra no soma chakra, entre o ājña e o sahāsrara, escoe para os chakras inferiores. O praticante deve deixar a língua contraída desta forma e voltar o olhar para o intercílio, fazendo bhrūmadhya dṛṣti. No início pode ser um tanto dificultoso manter a contração durante muito tempo, pois acontecem pequenas dores na musculatura da garganta e intensa salivação; não obstante, com a prática o bandha fica mais agradável e fácil de manter por um bom tempo.

Esses são apenas 3 exemplos de técnicas de pratyāhāra que vão ajudá-lo nesse estágio preparatório a meditação, tente praticar uma de cada vez de 5 a 10 minutos. Quando terminar permaneça em silêncio e apenas observe. Lembre-se: você não pode parar o pensamento, mas você pode não se envolver com ele. Como observador, apenas observe! Depois de algumas semanas praticando a mesma técnica, troque por outra até ter experimentado as três e então poderá julgar qual das técnicas fala a sua língua e adapta melhor a você.

Além disso você pode usar a respiração que além de ajudar a retrair os sentidos também é considerada uma técnica de concentração. Os exercícios respiratórios aumentam a vitalidade, melhoram a capacidade pulmonar, regulam o peso, a digestão e o domínio da musculatura involuntária. A respiração consciente promove o autoconhecimento. Aumenta a consciência corporal, torna o corpo irradiante e forte, a pele brilhante e sadia. Mas o verdadeiro propósito é controlar as flutuações da mente.

Você pode tentar controlar a respiração criando ritmos respiratórios ou sente-se e contemple o ato de respirar. Observe o ar entrando, observe o ar saindo. Esteja presente, observando a respiração. Se a mente se distrair volte a atenção para a respiração. Você está no presente, no aqui, no agora, observando a respiração.

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Boas práticas!

No proximo artigo vamos aprender as técnicas de Dhāraṇā, a concentração. O sexto passo no caminho do Aṣṭāṅga Yoga de Patañjali e que precede a meditação.

Bibliografia: As técnicas Bhramari,Jyoti e Amṛta dhyana foram descritas por Pedro Kupfer no Site www.yoga.pro.br 

Namaste
Patricia de Abreu
@patyyoga

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